BRASIL: Um novo estilo de Golpe

Petrônio Pereira de Souza[i]

Dilma e indigena

“Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica” Paulo Freire

A esquerda brasileira como as dos países sul-americanos vem sofrendo golpes fatais. O fato de terem conseguido mostrar caminhos de superação de alguns problemas sociais crônicos em seus países, possibilitaram sua permanência no poder por mais tempo que os governos anteriores, os quais, jamais tiveram compromissos reais com os mais necessitados, cujo número de pessoas que vivem na linha da pobreza na América Latina, estivera sempre em patamares de percentuais muito alto. Como conseguiram mostrar que existe solução, e ela depende de que os governos simplesmente queiram resolver, depende de ações concretas sobre essas questões, os partidos e elites conservadoras, passaram a buscar meios de derrubar esses novos governos que surgiram com propostas reais de rompimento da pobreza e miséria que assolam suas nações.

No Brasil não tem sido diferente. Desde o primeiro governo de Lula(2002), os objetivos da política foram dirigidos para metas de erradicação da pobreza. Nós temos cerca de 50 milhões de pessoas que vivem na pobreza e miséria. Alguns projetos sociais levaram para esses 50 milhões o alimento e oportunidades mínimas de vida que jamais tiveram. Isso fez com que as camadas mais simples acreditassem que o governo de Lula era o início de uma nova era, de uma nova política para o nosso país.

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Os políticos representantes e pertencentes da elite brasileira, ao perceber rapidamente o significado disso, buscaram uma maneira de derrubar essa ideia de administrar o Brasil, pois ela colocaria em jogo a continuidade dos conservadores no poder, ou, sua volta. O povo preferiu o governo de esquerda por fazer a política social bater à sua porta. Lula conseguiu superar os ataques ao seu primeiro governo e se reelegeu. Após mais 4 anos de governo, que completariam 8 anos da esquerda no poder, a população votou democraticamente na continuidade da nova política elegendo a Sra. Dilma Roussef em 2010. Após 4 anos de governo a Presidente Dilma Roussef se reelege novamente. Obteve 54.501.118 milhões de votos e o candidato conservador Aécio Neves 51.041.155 milhões. Democraticamente ganha as eleições de 2014 no Brasil.  Poucos dias após o término das eleições, Aécio Neves se reúne às forças conservadoras e iniciam uma luta para afastar a Presidente Dilma do Cargo alegando que a mesma teria mentido nas eleições, que havia praticado crime de responsabilidade fiscal em seu governo e que era necessário que sofresse o impeachment.

As forças conservadoras se reuniram para voltar a qualquer custo ao poder de um país rico, de um PIB R$ 5.094 trilhões, ou seja, cerca de U$ 1.500 Trilhões / 2015 e com uma das piores “Divisão de Renda” do mundo. Então iniciaram uma luta fervorosa para derrubar o governo de esquerda já no poder a 14 anos. A imprensa, fortemente armada pelas forças conservadoras, contribui de maneira significativa para que ocorresse o afastamento da Presidente[ii].

As dificuldades econômicas que o país atravessa se deve, em parte, a questões de gestão, mas grande parte dela está intrinsecamente ligada a uma articulação da elite brasileira em causar desemprego propositalmente. Industrias, bancos, Universidades particulares passaram a demitir massivamente em novembro e dezembro de 2014 logo após as eleições, antes mesmo que houvesse crise. Criaram um grande desemprego de caso absolutamente pensado, uma ação visível. A situação de Golpe, assim chamada pela esquerda brasileira, se dá pela falta cabal de motivos jurídicos para a derrubada de Dilma Roussef e pela articulação em criar uma situação econômica ruim para todo o país.

Insertions into Ideological Circuits 2: Banknote Project 1970 by Cildo Meireles born 1948
Banknote Project do Cildo Meireles

Outra questão que contribui foi a perda de maioria no Congresso, um dos mais conservadores da história do Brasil, e pela falta de união dos partidos de esquerda. Até mesmo o PT boicotou o Plano Econômico do Ministro da Fazenda de Dilma Roussef, o que fez com que a economia ficasse ainda mais fraca. Na realidade um conjunto de ações desnecessárias, por motivos de divergências internas, auxiliou as forças conservadoras a se aproximarem cada vez mais da derrocada final. A maioria dos partidos de esquerda se aliaram às forças conservadoras abandonando o governo do PT.

Temos que reavaliar os caminhos a serem tomados, refletir sobre todas as ações tomadas para superarmos a união que as forças conservadoras possuem desde milhares de anos. Eles possuem as condições materiais, o conhecimento e a luta de classes na América Latina só trará êxito aos trabalhadores de nossas nações se nos prontificarmos a estudar, refletir e nos unir como jamais nos unimos em nossa história. As vaidades humanas são capazes de muitas coisas, inclusive de permitir a própria destruição.

Golpe Goya

O PT não conseguiu capitalizar o apoio popular.

[i] Professor de Ciência Política, formado pela PUC -SP, pós-graduação em Paris IV.

[ii] A posse dos meios de comunicação no Brasil é altamente concentrado. Os grandes grupos de mídia: Globo, SBT, Bandeirantes, Record, Abril, Folha, Estado e RBS, controlar a maioria absoluta dos canais de televisão e de rádio, jornais e revistas.


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